Honzan em visita ao Aizu Ryu

Mantendo aberto o canal de estudos e troca de conhecimentos entre as escolas irmãs, nosso instrutor Honzan esteve em Goiânia desfrutando do ambiente marcial dos irmãos do Aizu Ryu. Seguem abaixo as impressões que trouxe da viagem e os registros fotográficos.

Duas escolas, um só coração.

 

 

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“Após 16 anos treinando com o Sensei Sojobo e todos os meus irmãos do caminho do budo, tive a oportunidade de vivenciar na prática um outro estilo de koryu (escola tradicional japonesa de arte marcial). Conheci o Sensei Kenjiro Misawa pela primeira vez em 2014, fundador e responsável pelo Dojo de Aizu Muso Ryu Misawa Ha, que se situa em Goiânia, no coração do Brasil.

Desde então, tive a honra de visitá-lo mais 3 vezes. A última vez foi agora, no início de abril de 2016, onde passei o fim de semana com toda família Aizu. E é sobre essa minha última visita que eu vou escrever agora.

 

Como de costume, desde o desembarque no aeroporto, sempre sou muito bem recebido pelo próprio anfitrão Sensei Kenjiro e também pelos seus alunos ao chegar no Dojo. Todos fazem questão de nos deixar à vontade quando estamos os visitando e o sentimento de “irmandade” que paira no ar é extremamente cativante.

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Logo no primeiro dia, sexta-feira, participei do treino noturno, juntamente com todos os alunos ali presente. Técnicas fortes de iaijutsu as quais exigiu um alto grau de concentração, atenção e um bom preparo físico (é nessas horas que damos valor ao treinamento que o Sensei Sojobo sempre nos exigiu). Novos pontos de vista de movimentos já conhecidos. Conceitos novos de uma tradição já estudada. Mas a essência é a mesma, a energia é a mesma, os valores são os mesmos. É como beber a mesma água de um mesmo pote, mas com uma caneca diferente. Tudo veio à tona. Todas as minhas lembranças de 16 anos de tatame me vieram à mente. Me senti vivo novamente! A marcialidade estava ali presente, sempre esteve. Mais um ponto de luz que veio como um presente do Japão para o Brasil, como uma brasa que muitos pensavam que fosse se apagar facilmente com o passar dos anos. Até acredito que muitas outras brasas infelizmente tenham se apagado, mas a brasa de Aizu foi mantida, guardada carinhosamente durante décadas e no momento oportuno foi soprada na palha, e depois nos gravetos, e depois em uma enorme fogueira no centro da América do Sul. Sim, naquele Dojo temos vivo o espírito do budo, uma arte tradicional viva!

 

Depois do treino, uma breve conversa descontraída com os irmãos de armas, pois no outro dia pela manhã teríamos treino novamente.

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E assim foi: logo pela manhã no sábado, voltei ao tatame do Aizu Hombu Gakko para mais uma seção de treino. Dessa vez focamos mais nos detalhes das técnicas de Aizu Ryu. O Sensei Kenjiro me passava detalhe por detalhe. Foram mais 3 horas de treino, juntamente com os alunos mais graduados do Dojo. Simplesmente fantástico treinar com eles. O mesmo sentimento que eu estava tendo em aprender, pude sentir neles quando me ensinavam os katas. Maravilhado e ávido para tentar absorver todo aquele conteúdo, não queria parar, mesmo com os joelhos já literalmente esfolados por conta das técnicas em suwari waza.

No fim da aula, após todos os cerimoniais e “reigi” de encerramento, pedi licença ao Sensei Kenjiro para pronunciar algumas palavras em agradecimento a todos pela oportunidade concedida a mim de poder treinar junto a eles, pelo respeito que eles têm por nós do Shinto Ryu – escola irmã – e também por manter viva uma tradição por muitos esquecidos, mesmo no Japão.

 

Ainda no domingo, eu e Sensei Kenjiro tivemos um momento de parte teórica e estudo de aplicações de certas técnicas – anotações, explicações, correções de tai sabaki e posturas, fecharam com chave de ouro minha estadia em Goiânia. Peguei o avião de volta à São Paulo já pensando quando seria meu regresso, tamanha era a vontade de estar novamente com todos do Aizu.

 

O intercâmbio de conhecimentos que nós do Shinto Ryu e os irmãos do Aizu Muso Ryu construímos não se limita somente em katas e técnicas propriamente ditas, eu diria que é um intercâmbio de conhecimento geral, história, vivências, harmonia, respeito mútuo, filosofia. Acredito profundamente que somos uma única família, de irmãos e irmãs, os mais velhos cuidando do crescimento e formação dos mais novos, passando a tradição e os bons costumes da nossa querida e amada arte com todo o cuidado e carinho.

 

Oss!

 

Domou Arigatou Gozai Mashita

Honzan

 

 

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