Kenjiro Sensei

Kenjiro Sensei nasceu em 10 de março de 1969 na cidade de Goiânia, é o atual SÔKE (representante) e Guardião do Densho (conjunto de documentos do estilo). Possui o grau de Menkyo Okuden, do Aizu Muso Ryu – Misawa Ha.

1974 – Inicia seus convívio nas artes marciais aos 5 anos de idade, apenas acompanhando seu pai (Mestre Lázaro) nos treinos de Shorin-Ryu, um estilo de Karate, e posteriormente no Tae-Kwon-Do, com Mestre Emival, na Associação Goiana de Artes Marciais.

1976 – Dá início, a prática do Aizu Muso Ryu, praticando também com seu Pai, por quem é apresentado a Norioshi Sensei, aos sete anos de idade. Inicia seus estudos e treinamentos em Londrina, no Sanrei Dôjo.

Desde sua infância, Kenjiro treinou e estudou as formas antigas do estilo, seu Ô Tome Bujutsu, suas definições em Battojutsu, Iaijutsu, Suemonogiri, Tantojutsu, Kenjutsu, Kobujutsu, Kyujutsu, Aikijujutsu e Yoroi Kumiuchi, entre outras técnicas e formas, provenientes do estudo destes estilos antigos, que foram sendo incorporadas por seus antepassados.

1978 – Em Setembro, já com nove anos, após dois anos de prática, alcança o reconhecimento de seu Mestre e passa a ser considerado “SEITO”. (Aluno, Discípulo).

1979 – Com dez anos conhece os rigores e segredos do Battojutsu e Iaijutsu, com Shinaiako Sensei, irmão de Mestre Norioshi, iniciando assim uma verdadeira adimiração e amizade por seu Senpai

(Aluno veterano).

1981 – Aos 12 anos passa a treinar sem o acompanhamento de seu Pai, ano onde também recebeu o grau de “SHODEN”, e seu nome espiritual Samurai (Kenjiro), uma antiga tradição preservada até os dias de hoje, passou a ser considerado um herdeiro das tradições, e membro honorário da família de seu Mestre.

1983 – Sobre a recomendação de Shinaiako Sensei, inicia paralelo aos treinos, seus estudos no Ishindotai Dôjo, com Hidetoshi Sani, Mestre em Jujutsu e Yoroi Kumi Uchi com quem permaneceu por mais dois anos.

1984 – Neste ano, no dia 26 de Maio, foi submetido com sucesso a uma minuciosa avaliação, presenciada por seus outros professores e por amigos de Mestre Norioshi, onde foi presenteado com grau de “CHUDEN”, graduação que sonhava há vários anos. Inicia uma nova faze de disciplinas mentais e estudos sobre o Bushidô, e a origem das artes estudadas dentro do estilo.

1986 – Vai através de intercâmbio ao Japão, aos 17 anos, acompanhado por Shinaiako Misawa, onde aprofundou seus conhecimentos sobre as artes Samurai, focou seu estudo em Aikijujutsu, com Yoshizaki Sensei, aluno de Kondo Katsuyuki Sensei, atual Sokê (Representante máximo) do Daito Ryu Aikijujutsu. Ficou por pouco mais de 3 meses como convidado, treinando no Mori Taiikukan Budôjo em Obihiro.

1989 – Em Abril, Kenjiro Sensei viaja mais uma vez ao Japão acompanhado por Shinaiako Misawa, nesta ocasião foi apresentado por Yoshizaki Sensei ao Mestre Yoshio Sugino, e seu filho Yukihiro Sugino em visita à sua escola o Yuishinkan Dojô, em Kawazaki, onde conheceu o famoso estilo, Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu, com Sugino Sensei, lá aprendeu uma metodologia de ensino muito influente hoje no Aizu Muso Ryu.

1990 – Continua seus estudos, agora voltados para sua formação profissional e acadêmica, e reduz seu período de treinamento a feriados prolongados e períodos de férias. Momento importante para a sedimentação do conhecimento Samurai, focando em estudos teóricos e praticas de outros estilos.

1997 – Em dezembro deste ano recebe o MENKYO (autorização de ensino) das mãos de seu Mestre, que recomenda que encontre entre seus familiares ou amigos, alguém que queira trilhar o caminho.

1998 – Começa o ensino de seu primeiro aluno, Cleriston Gomes, seu primo em primeiro grau, pessoa muito Importante para a conclusão de seu trabalho, obteve um primeiro e precioso retorno, podendo entender como pessoas de fora de seu antigo círculo de treinamento, receberiam seus ensinamentos. Após este inicio vários entusiastas que presenciavam as aulas tentaram se tornar alunos.

2000 – Três pessoas foram particularmente persistentes em suas tentativas de serem aceitos como alunos, amigos de longa data, Saulo Inácio (Tetsuno), Pedro Finoto (Yshino) e sua irmã, Luciana Finoto (Hikari), foram aceitos em agosto deste ano, devido à demonstração de responsabilidade e lealdade, formando a primeira turma de alunos fora do sistema familiar.

2002 – Em 24 de Maio deste ano, Kenjiro Sensei, após avaliação presenciada também por seu Pai, nomeia seus primeiros alunos “SEITO” (discípulos).

Em novembro deste mesmo ano, Kenjiro inicia novos projetos, como a construção de uma sede que atendesse às necessidades do treinamento, e conseqüentemente a aceitação de alunos do meio externo.

2003 – Em 06 de Março, acontece a inauguração do Aizu Honbu Gakkô, escola sede do AIZU RYU. O estilo adentra a uma nova fase de sua história, pois com a escola veio à abertura de novas turmas, pois Kenjiro Sensei lecionava apenas para os “Pilares” da escola (apelido dado aos alunos mais velhos pelos alunos que começaram a chegar a partir de então).

2004 – Kenjiro Sensei e seus alunos mais antigos apos registrar várias coisas referentes ao estilo. Criam a AIZU BUDÔ KAN, uma associação esportiva e cultural, responsável, difundir e ensinar o estilo, com sede em Goiânia, capital do estado de Goiás. Em dezembro deste ano Kenjiro Sensei recebe diretamente de seus antigos tutores, Shinaiako Misawa, Hidetoshi Sani, e de Grão Mestre Norioshi o grau de OKUDEN, uma das mais altas condecorações dentro de um Koryu.

2006 – Em setembro, Kenjiro Sensei viaja para São Paulo, acompanhado por um de seus alunos, nesta ocasião visitando seu amigo Adriano Sensei, responsável pelo estilo Shinto Ryu, em sua escola o Tanren Sui nen kan Dôjo na cidade de Santos, lá Sensei continuou a estudar a nobre arte do Kenbu (Dança das espadas), uma arte secular presente hoje em poucos estilos, Kenjiro Sensei aprendeu as formas desta arte com seu irmão de armas, e a pedido de seu amigo, passou a preservá-la, inserindo dentro do currículo do Aizu Muso Ryu.

2008 – Em abril deste ano Kenjiro Sensei e Cleriston (Senpai) viajam mais uma vez a cidade São Paulo, atendendo ao convite da Associação Japonesa do estado de São Paulo, Para participarem de eventos em homenagem ao centenário de imigração japonesa no Brasil. Oportunidade onde participa também de homenagem feita a Yshida Sensei, um renomado Katana Kaji (mestre forjador de espadas) de quem recebeu elogios verdadeiros e de enorme valor, a respeito de sua técnica e trabalho.

Atualmente Kenjiro Sensei leciona no Aizu Honbu Gakkô (Escola sede), também organiza e participa de eventos que homenageiam a cultura japonesa e ministra palestras sobre a história e filosofia dos samurais.

Kenjiro Sensei recebe de braços abertos todos interessados pela beleza e integridade da cultura samurai. Através de seus alunos, o Mestre mantém viva a tradição destes guerreiros, trazendo sua humildade, honra e lealdade até o nosso tempo. Sua escola está sempre presente em manifestações culturais em respeito aos costumes e tradições do oriente.

Ferramentas para Reflexão

O Koryu e o ocidente

Por Kenjiro Sensei

Fechava as portas de meu Dojô essa semana, numa sexta feira a noite, após um dia inteiro de aulas. Já do lado de fora, um de meus alunos, interessado estudante de educação física, me apresentou uma situação intrigante.

Ele citou um grupo de exercícios de comunicação corporal do meu estilo. Eles existem, pois a execução das técnicas durante o treinamento pode tornar-se muito rápida para que haja comunicação verbal a tempo.

É uma comunicação simples, que expressa comandos como “Pare”, apontam uma técnica bem executada ou avisam sensações de dor imediatamente. Variações destes mesmos exercícios existem em praticamente todos os estilos tradicionais samurais.

Educadamente, meu aluno explicou alguns de seus estudos acadêmicos sobre a musculatura e sistema motor humano. Comentou acreditar que alguns destes exercícios não são os melhores que existem para serem aplicados.

Para responder à sua dúvida, notei que a solução para o problema reside num campo do entendimento humano diferente da educação física.

Os estilos marciais tradicionais, chamados Koryu, ou seja, que antecedem a criação dos estilos modernos, os Gendai, têm algo em comum. Eles carregam um legado cultural mais profundo do que as relações mecânicas de causa e efeito das suas técnicas de combate.

São uma lembrança viva da cultura que originou estes estilos, preservada em seus costumes, cerimônias e de que forma seus integrantes se relacionam com o próprio corpo.

Uma das grandes preocupações por parte dos mestres de um Koryu é preservar o conhecimento dos antepassados de seus estilos. Se substituíssemos seus exercícios, por mais simples que eles sejam, por métodos modernos, o estilo desenvolvido pelos mestres ancestrais seria o mesmo?

A pergunta toma um peso ainda maior se considerarmos que esses novos exercícios pertencem à outra cultura. O ocidente tem uma forma de relacionamento com o corpo diferente do oriente. Imagine então as diferenças para a cultura oriental de sete séculos atrás

O paradigma científico-cultural do ocidente busca uma melhoria positiva de processos mecânicos. Os estudos acadêmicos no campo da educação física, por exemplo, empenham-se em desenvolver categorias de exercícios cada vez mais eficientes, que proporcionem resultados mais rápidos. O que ficou para trás está esquecido, torna-se obsoleto.

O desenvolvimento das artes marciais, em seu início, seguiu parâmetros empíricos semelhantes, no método da tentativa e erro. Técnicas eram desenvolvidas até tornarem-se satisfatórias para os mestres, outras eram incorporadas de outros estilos.

Muitas técnicas surgiram no campo de batalha, onde os guerreiros realizavam algum movimento involuntário e desconhecido, porém funcional. Após o conflito, eles isolavam-se em meditação, para recordarem-se do que fizeram e então catalogavam uma nova técnica.

Com isso, é importante notar como as artes marciais Koryu, que mantêm sua tradição, foram criadas para a sobrevivência, para a batalha verdadeira. Diferente do apelo estético que se amalgamou ao discurso da saúde, divulgado pelos esportes ocidentais.

As artes marciais geram benefícios à saúde física, como o conhecimento ocidental mesmo aponta. Mas para as modalidades esportivas ocidentais esse é o fim a se alcançar, sem se importar com o que ficar para trás.

Já para os estilos tradicionais que sobreviveram até hoje, uma minoria alarmante, o maior domínio do próprio corpo é só um de dois objetivos. Os Koryu também têm de se preocupar com suas raízes – da história às artes do estilo.

As artes marciais Koryu são um testemunho da cultura dos antepassados, que permea muitos níveis da experiência humana. Incluindo como eles ensinavam a dominar e desenvolver seus corpos.

Os estilos Koryu guardam estas experiências, vividas geração após geração, tornando-se entidades culturais únicas, que possuem identidades próprias. Seus praticantes entesouram os ensinamentos dos antepassados reverentes à sua memória e os praticam por confiança nas vivências seculares de pessoas que dependiam daquilo para sobreviver. E sobreviveram.

Enfim, os comentários feitos pelo meu aluno partiram de conhecimentos gerais sobre anatomia. Existem certamente muitas pesquisas sobre as modalidades olímpicas, como o Karatê e o Judô. Mas eu desconheço algum estudo inteligente sendo desenvolvido especificamente com as modalidades tradicionais, muito diferentes das olímpicas.

No Brasil, o Centro de Pesquisas em Cultura Japonesa está começando e promete muito. Entretanto é preciso perceber que para se estudar um Koryu academicamente, não é racional restringir-nos apenas às áreas biológicas e pesquisar apenas seus aspectos mecânicos. Vamos precisar de um pouco de antropologia nisso, para entender, que o que é bom e o que é melhor são muito relativos.

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