AGORA – O TEMPO SAGRADO

Agora – O Tempo Sagrado.

O antropólogo Andre Van Lysbeth escreveu: “As noções de tempo linear, tempo cíclico não são explicitadas nem citadas no Tantra da Índia simplesmente porque tempo linear é uma abstração moderna”.

Para os tântricos o tempo era o agora, esse era o tempo sagrado.

Nas artes marciais ligadas ao Shingon e aos mestres shugenshas – que ensinavam os caminhos tântricos japoneses – obter esta noção de tempo sagrado é condição para o avanço do artista marcial.

Conceitos como Zanshin e Mushin só podem ser entendidos a partir de uma experiência no agora, experienciando-os no tempo sagrado.

Mais proveitoso do que conceituar é saber como acessar esse Tempo Sagrado.

Esse acesso acontece a partir de uma atitude especial de atenção sem tensão, na qual nos mantemos no instante. Podemos dizer ainda que é o acesso pela consciência despojada e entregue, entregue ao momento em que se vive o mito, o mantra, a cura, o Kata, a pia de louças para lavar.

Chogyam Trungpa diz em A Trilha Sagrado do Guerreiro:

– “ Precisamos encontrar o vínculo entre nossas tradições e nossa experiência atual de vida. O agora ou a magia do momento presente é que une a sabedoria do passado com o presente. Quando apreciamos uma pintura, uma música ou uma obra literária, não importando quando tenha sido criada, nos a apreciamos  agora. Vivenciamos a mesma imediatez do momento no qual  foi criada. Sempre é agora.”

Esse tempo sagrado precisa ser entendido e valorizado e isso pode ser feito de uma forma simples, começando pelo interesse genuíno pelos detalhes da vida. Comecemos por tomar consciência do que nos rodeia, dos que nos rodeiam, do que ocorre em nosso cotidiano.

Estarmos conscientes quando cozinhamos, quando dirigimos , quando exercitamos um Kata pode nos libertar de nossa própria opressão, da neurose, do ressentimento. Pode nos libertar da corrupção de buscar um agora impossível, que só existe neuroticamente no passado ou no futuro.

O passado, por ser passado, não existe mais. O futuro, por ainda estar por vir, não existe ainda.

E se não existe passado, nem futuro, não há expectativas e não há medo.

Fique atenta, fique atento. Mantenham-se na clareza.

 Lália Oliveira

 -Emiko-

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